Relatório da Organização Mundial de Saúde sobre edulcorantes (2002)

Dados do relatório de 2002 da Organização Mundial de Saúde (OMS) 1, mostram que as doenças não transmissíveis são responsáveis por 60% de todas as mortes e que segundo suas previsões, estes números subirão para 73% em 2020. Assim sendo a OMS recomenda mudanças no hábito alimentar, afim de previnir tais doenças, dentre elas: redução no consumo do açúcar2, ficando restrito a 10% da ingestão diária de calorias 3.
Para tal torna-se necessária a utilização dos substitutos do açúcar. As substâncias edulcorantes (adoçantes) são caracterizadas principalmente por conferir sabor doce, podem ser divididos em dois grupos distintos: não nutritivos (sacarina, ciclamato, acessulfame-k, sucralose, esteviosídeo) nutritivos (frutose, sorbitol, aspartame) 4.
Infelizmente alguns destes apresentam algumas restrições ao uso, seja em relação as características sensoriais (amargo e metálico), técnicas (degradação térmica, química, solubilidade) ou controvérsias em relação á toxicidade.

Tabela 1: Comparação entre o poder adoçante dos edulcorantes em relação ao açúcar. Tabela 1

A sucralose surgiu suprindo a necessidade do mercado, pois não apresenta as restrições típicas dos edulcorantes e possui características sensoriais muito próximas á sacarose sem o indesejável sabor residual (after taste) amargo/metálico comum na maioria dos edulcorantes. É o único edulcorante de alta intensidade obtido através da cana de açúcar, produzido a partir da troca de três hidroxila por três átomos de cloro 5.

Figura 1: Representação das moléculas de sacarose e sucralose: Figura 1


O consumo dos edulcorantes deve respeitar uma dose máxima, ou seja, a IDA (Ingestão Diária Aceitável). Esta medida é estabelecida pelo JECFA (Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives. A IDA é uma recomendação de limite seguro para a ingestão diária ao longo da vida de uma pessoa. A ingestão diária aceitável de sucralose é de 15mg/kg de peso. Considerando uma pessoa de 60kg, esta poderia utilizar com segurança 900 mg de sucralose por dia, ou seja, 90 sachês ou 900 gotas ou ainda 75 colheres de sopa de adoçante Granular.
Os estudos têm demonstrado sua segurança de maneira definitiva, afirmando que é inócua à saúde, mesmo em níveis de consumo muito superiores ao necessário para adoçar, não havendo nenhum tipo de restrição ao seu consumo 7,8,9,10.
Os estudos indicam que a sucralose não é tóxica9, não causa câncer10, não afeta o sistema imunológico nem o sistema nervoso central, não provoca cáries12, não é teratogênica13, não tem efeito na secreção de insulina ou no metabolismo dos carboidratos7,8,11. Pode ser consumida por qualquer grupo populacional entre eles diabéticos, fenilcetonúricos, gestantes14, crianças e até idosos7.
A sucralose é um edulcorante de nova geração não calórico (zero caloria), pois não é reconhecido como carboidrato pelo organismo, a taxa total de excreção da sucralose é de 92,8%. Sendo assim, a excreção fecal de sucralose, intacta, sugere que a mesma não sofre digestão e é pouco absorvida no intestino humano15. A excreção da sucralose se dá em 13 horas16.
Diante da literatura científica atual e da aprovação de órgãos como FDA, OMS e JECFA, a sucralose é um dos edulcorantes mais recomendados entre os profissionais de saúde.
Além da segurança, vem ganhando destaque na aceitação dos consumidores pelo seu sabor e versatilidade, mantendo suas características diante das variações de temperatura e ph17.


Bibliografia

1) http://www.ibesa.pt/gd/$documentos/OMS-AlimentActFisicSaude_27ago2004_id68.pdf
2) http://who.int/nutrition/publications/pressrelease32_pt.pdf
3) Joint WHO/FAO expert consultation. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. WHO Technical Report Series 916. Genebra,2003.
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5) Sucralose Food Additive Petition 7ª3987, Vol 8
6) Kimura IA, Cano CB, Martins MS, Nagato LAF. Determinação de sucralose em néctares de frutas "light" por CLAE-IR. Rev Inst Adolfo Lutz. 2007; 66(3):249-55.
7) Sucralose Study E169, "A 12-Week Study of the Effect of Sucralose on Glucose Homeostasis e HbA1c in Normal Helthy Volunteers, "Submitted to the Food and Drug Administration".
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11) European Commission. Health & Consumer Protection Directorate-General. Scientific Committee on Food. Opinion of Scientific Committee on Food on Sucralose. Brussels; 2000.
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13) European Commission. Health & Consumer Protection Directorate-General. Scientific Committee on Food. Opinion of Scientific Committee on Food on Sucralose. Brussels; 2000.
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15) Roberts A, Renwick AG, Sims J, Snodin DJ. Sucralose metabolism and pharmacokinetics in man. Food Chem Toxicol. 2000;38 Suppl 2:S31-41.
16) Mattos R. Sociedade Brasileira de Diabetes / Observatório Científico - Sucralose: o mais estável dos edulcorantes. 2008. [acesso em 29 Out 2008]. Disponível em: <http://www.diabetes.org.br/Colunistas/Observatorio_Cientifico/index.php?id=1445. - 03/03/2008 23:42>
17) Knight I. The development and applications of sucralose, a new high-intensity sweetener. CanJ Physiol Pharmacol. 1994Apr;72(4):435-9.


Para Maiores Informações:
Elaine Cristina Moreira
Nutricionista - CRN 14268

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